sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Intuição

Luan on

Miguel  ão entendia o motivo de eu não querer Laís por perto, ele estava ansioso por conta do exame e queria a mãe por perto, mas, por enquanto era melhor evitar...

-Filho, voê vai ver sua mãe, mas não vai ser amanhã, o papai já te explicou...

-Mas, papai, eu não aguento mais ficar longe e sem ver ela...

-Então vamos combinar assim, se você se comportar e comer direitinho agora, amanhã a noite o papai deixa você fazer uma chamada de vidéo, pra você ver e conersar com a mamãe no computador tá bom?

-Não era assim, mas tá...

Dei o jantar a ele e tentei fazer ele dormir, nem o chá dessa vez conseguiu deixar ele relaxado, meu moleque estava nervoso e me cortava o coração ver ele desse jeito.

-Filho, você tem que dormir, vamos acordar cedinho amanhã...

-Não quero falar disso, declarou emburradinho e eu ri.

-Tudo bem, a gente não fala, agora fecha o olhinho e dorme Miguel.

Depois  de mais de uma hora, ele finalmente dormiu, e, como eu esperava, de manhã, foi dificil tirar ele da cama.

-Filho, levanta meu anjo, a gente precisa ir, não podemos perdr a hora...

-Eu não quero.

-Não tem que querer mocinho, levanta agora, papai está mandando.

Ele levantou emburrado e foi pro banheiro com um bico de meio metro, marrento igual a mãe, droga, por que estou pensando nessa mulher?

-Não vai dar beijo de bom dia no papai?

-Bom dia, me deu um beijinho murcho e se arrumou  quietinho

O caminho até o laboratório foi de total silêncio, ele não disse nada e estava todo tristinho, mas, assim que entramos e fomos chamados, eu vi que dessa vez eu teria trabalho.

-Vamos Miguel, é sua vez meu bem.

-Papai, eu não quero ser furado, falou com os olhinhos brilhando de lágrimas.

-Vai ser rapidinho filho, papai promete.

-Vai doer, falou já chorando e tentando se esquivar de mim enquanto o enfermeiro observava a situação em silêncio.

-Filho, colabora com o papai, voê já fez isso uma vez lembra?

-Lembro, e doeu muito, eu não quero.

Sem alternativas, tive que pegar ele no colo e entrar com ele chorando. Me sentei com ele na cadeira destinada e estiquei seu braçinho enquanto ele solusava de chorar, estranho, ele não era disso.

-Não chora assim meu amor, é só um furinho bem rápido, não vai doer muito meu bem.

Logo o enfermeiro fez seu trabalho e tive que o segurar firme, enquanto ele recolhia as 4 amostras de sangue.

-Papai, tá doendo, tira, manda ele parar...

-Calma meu filho, já tá acabando, shiiiiiiiiiiu, pronto, prontinho, acabou miguel, já foi, doeu tanto assim?


-Sim, foi maldade, eu eu sei que vai dar coisa errada papai, eu não queria furar, eu sei que não vai dar coisa boa nesse exame chato, falou e gelei, criança as vezes tem mania de adivinhar as coisas. 

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